Roupas e acessórios: as mudanças no vestir

A forma como os seres humanos cobrem seus corpos muda conforme a época e a cultura. Todos os grupos humanos, ao longo de sua história, utilizam roupas e acessórios. Esses artefatos evidenciam a forma como homens e mulheres se relacionam com a natureza, com sua organização social, com a sua cultura e a de outros povos.

MANEIRAS DE VESTIR

A forma como os seres humanos cobrem seus corpos muda conforme a época e a cultura. Todos os grupos humanos, ao longo de sua história, utilizam roupas e acessórios. Esses artefatos evidenciam a forma como homens e mulheres se As roupas, também chamadas de vestuário ou indumentária, são usadas por questões sociais, culturais ou por necessidade. Elas são, junto com os acessórios – objetos utilitários ou de ornamentação carregados sobre certas partes do corpo, como sombrinhas, bolsas e enfeites – parte importante da cultura dos diferentes grupos e sociedades humanas. As formas como nos vestimos impactam os diferentes aspectos da nossa vida, inclusive nossa relação com o mundo natural, de onde tiramos os elementos que permitem a fabricação dos tecidos e confecção do vestuário. Fiar, tecer, tingir, modelar os trajes, são todas tarefas desenvolvidas há milênios, definindo papéis sociais e organizando a vida cotidiana, as festividades e as dinâmicas sociais. Nos acervos dos museus do Ibram, é possível encontrar diferentes objetos relacionados à histórias das roupas e da moda no Brasil.

1001 ITENS

ESTA CURADORIA CONTA COM ITENS DE DIFERENTES MUSEUS

CONFECÇÃO DAS ROUPAS

As roupas são fabricadas pelos seres humanos desde a pré-história. Estima-se que nesse período as peles de animais eram utilizadas tanto para a proteção contra os fatores naturais quanto pela aparência. No final da chamada Idade da Pedra (Neolítico), período no qual os seres humanos criaram as primeiras ferramentas, acredita-se que já existisse o domínio de técnicas de produção de roupas, com a união de diferentes pelagens de animais e a utilização de fibras de plantas, como o algodão. Durante o Egito antigo o uso de roupas estava restrito às famílias de alta classe. Sapatos, por exemplo, eram usados por poucas pessoas e a maioria andava descalça. É na Idade Média europeia que aparecem os primeiros artesãos dedicados à confecção de roupas. Antes disso, as vestimentas eram feitas em casa, inclusive a confecção dos tecidos, utilizando instrumentos como rocas, fusos e rodas de fiar. Nesse período as roupas começam a ficar mais elaboradas, com enfeites, fios de ouro e uso de tecidos importados, como a seda que vinha do Oriente. A nobreza se diferenciava das classes menos abastadas pelas roupas mais elaboradas. Com a Revolução Industrial a forma de fabricar tecidos foi automatizada e o preço das roupas se tornou acessível para a maior parte da população.

A MODA E A HISTÓRIA

Muitas vezes considerado um tema frívolo, a história da moda tem se tornado, cada vez mais, alvo de estudos, dada a sua capacidade de evidenciar as relações humanas. A palavra moda vem do latim modus (modo, maneira) e na corte francesa de Luís XIV era utilizada para designar um estilo de vida e as transformações nos hábitos. De acordo com historiadores, a moda como fenômeno social data do fim do século XIV e início do XV. Com o crescimento das cidades europeias e a organização da vida na corte teria gerado proximidade física que permitia que os burgueses copiassem as roupas dos nobres. Em paralelo, um fato importante contribuiu para alicerçar o surgimento da moda: a separação entre roupas femininas e masculinas.

É com a modernidade, pós Revolução Industrial, que a moda se populariza, tornando-se uma marca de distinção que se mostra na escolha da indumentária pelas

pessoas. A padronização das roupas industrializadas passa então a conviver com as possibilidades de afirmação da identidade por meio da inserção de elementos diferenciadores, como acessórios, cores e padrões inusitados.

No Brasil, muito das mudanças nos padrões de comportamento sociais podem ser acompanhadas por meio da moda. Com a crescente urbanização e participação feminina no mercado de trabalho, no início do século XX, os vestidos que antes impediam os movimentos pelo uso de espartilhos agora são mais fluidos e com tecidos mais leves. A barra dos vestidos também subiu, para o escândalo dos conservadores de plantão. Muitas dessas mudanças sociais da moda podem ser percebidas pelas roupas presentes nos acervos dos museus do Ibram.

Sapato em pelica branco

ACESSÓRIOS

Os acessórios são itens utilitários ou decorativos que complementam o vestuário. Assim como as roupas, eles foram mudando com o tempo. Luvas, sombrinhas e chapéus eram acessórios muito utilizados no início do século XX, mas caíram em desuso com o tempo. Na atualidade, os acessórios, além dos aspectos utilitários, servem para mostrar a personalidade, afiliação cultural ou religiosa e marcação identitária.

AS ROUPAS NOS MUSEUS DO IBRAM

As coleções de indumentária estão presentes em diferentes museus do Ibram. Em alguns casos, como no Museu das Bandeiras, o acervo é composto por indumentárias indígenas, como tangas, colares e cocares. Já em museus, como o Museu Benjamin Constant, temos roupas que pertenceram à família que habitava o imóvel. O acervo do Museu Casa da Hera é um dos mais importantes sobre o tema, com indumentárias assinadas por mestres da alta costura internacional, como Charles Worth, Felix Breveté e Morin & Blossier. É uma coleção composta basicamente de trajes importados da França, mostrando a influência desse país na construção do gosto das elites brasileiras do período.

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